| Para muitos brasileiros, Armênia não passa de uma estação de Metrô (antiga
Ponte pequena), mas outros têm consciência que se trata de um país que foi
uma das Repúblicas soviéticas (da extinta URSS). Mas poucos sabem porque a
estação mudou de nome.
Ocorreu no século passado e não foi um conto de fadas. Sapatos e sobrenomes
armênios passaram a ser uma constante e mais adiante caminhando para os
artigos Têxteis. A maior concentração de armênios foi no bairro do Bom
Retiro. Foi daí a mudança do nome da estação a antiga Ponte pequena para
Armênia.
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Vivendo sob o domínio do Império Turco Otomano, os armênios assim como
outros povos, sempre lutaram pela sua liberdade. Isso resultou num massacre
promovido por grupos armados turcos. Foram massacrados nesse período
1.500.000 armênios isso quando a Europa se consumia na I Guerra. O primeiro
Genocídio de um século, um ato selvagem de pura crueldade.
Os sobreviventes fugiram ou foram procurar refúgios em países mais
distantes. No Brasil, principalmente em São Paulo, muitos desses imigrantes
eram pastores, sabendo trabalhar muito bem o couro. De onde surgiu a idéia
de fabricarem sapatos, com uma qualidade que os igualavam aos melhores
sapateiros italianos e espanhóis. E mais para frente muitos além do sapato
se voltaram para a atividade Têxtil.
A Riqueza desses Imigrantes era caracterizada não como uma riqueza monetária
ou de posses, mas aquela ligada a cultura, a língua, as memórias.
Os turcos, no entanto, se amedrontaram com tamanha superioridade desse povo
que fizeram optar pelo massacre covarde, onde abusavam de mulheres...
Fazendo-as cantar antes de morrer, queimavam-nas com querosene, crianças
mortas de diversos maneiras, jovens, senhores, pais, filhos... Que fosse para
os turcos um único motivo, ser da raça Armênia a morte era já a
pré-determinada.
Todos literalmente viveram um inferno astral uma guerra de nervos até
tentarem a sorte ou a dura morte.
"Todos nós temos nossas lutas, mas só quem sabe suportá-las pode ser
classificado como herói em todas as fases da vida".
Foi assim essa passagem de vida de AZAD TARIKIAN, chegando da Armênia mais
precisamente de Yerevan, sua capital. Onde migrou para o Brasil junto com
sua família pais e os seis filhos: Maria, Azadui, Azad, Garo, Girai e
Cristo, levando meses sob um navio português passando as dificuldades como
muitas famílias daquela época.
Durante meses naquele navio português as dificuldades eram grandes, e a mãe
de AZAD Senhora Paramsem e o Senhor Meguerditch faziam o possível e o
impossível para cuidar daquelas crianças,onde tinham a perspectiva positiva
do Brasil ser o país longe da vida que levavam.
Detalhes esses, que ao longo da viajem optaram por se instalarem em Itú,
onde já havia alguns parentes por aquela região.
AZAD cresceu ouvindo piadinhas dos colegas de sala sempre zombando por ele
usar saia. Os colegas o referiam de turquinho, na qual o zangava muito
porque para os armênios isso era realmente uma ofensa muito grave.
Um armênio cheio de idéias arrojadas, criativas para inventar, experimentar,
crescer, aceitar riscos, quebrar regras, errar e ter o prazer em tudo isso.
"SER MULHER É UMA TAREFA MUITO DIFÍCIL, QUE CONSISTE PRINCIPALMENTE EM LIDAR
COM HOMENS..."
E Irene Festa, filha de italianos,Nicolau e Helena Festa, futura companheira
de AZAD sabia bem disso.
Mulher trabalhadora, conheceu AZAD no QUEIMADOR DA LAPA onde era
funcionária, onde mais para frente tornou-se companheira assídua de AZAD e
do QUEIMADOR respectivamente...
Muitas divergências ocorreram por terem se apaixonado, já que ela filha de
italianos, onde naquela época e até nos dias de hoje, armênio (a) teria que
se devotar em casar-se com armênio (a) para que não misturasse a raça na
qual eles tanto zelavam. Mas não ouve jeito AZAD sofreu por tomar essa
grande decisão, e no futuro só resultou em grandes vitórias,sendo agraciados
com 3 filhos que hoje honram seu nome : Miguerdith, Claudio e após 12 anos
Azad Fiho.
Empresa fundada há 40 anos, com uma visão de negócio varejista,que
transformou na loja mais famosa da região da lapa. Eram filas que rondavam o
quarteirão,a partir daí começou um grande progresso.
Sim, ele era o cabeça do Queimador da Lapa.
Sim, ela era a parte comercial do Queimador da Lapa.
Juntos harmonizavam para o destaque da loja..Azad Tarikian, foi o pioneiro
em colocar seus produtos em bancadas, isso não existia na época... E algumas
vezes tinham idéias como comprar sapatos de um só pé para deficientes
físicos...Colocavam os pés dos sapatos em uma carreta em frente a loja e
eram assim todos vendidos ! Filas durante o dia todo... O preço era de
banana, isso quando ele não colocava tudo a 12 cruzeiros em homenagem a rua
de sua loja pelo aniversário dia (Rua12 de outubro/Lapa). Sempre pensando na
frente, o mais conhecido talento de um exelente comerciante.
Seus filhos na época com 16 anos aproximadamente entraram no negócio, mas
somente Claudio Tarikian veio a dar continuidade no ramo textil e hoje
fundador da Mercosul Têxtl Ltda, é quem segue dando continuidade no negócio.
Um homem de decisões, extremamente trabalhador com a herança do negócio
comerciante, deixado pelos seus pais já falecidos. Claudio iniciou-se no
Queimador da Lapa, e futuramente teve seu negócio próprio no ramo atacadista
têxtil e onde continua progredindo...
O ramo foi crescendo, se desenvolvendo pouco a pouco, e com sua força de
trabalho e garra ele conquistou inúmeros clientes fiéis que estão até hoje
ao seu lado.
Sempre muito brincalhão com seus clientes, fechar grandes negócios e com
ele... logo o negócio de ontem passa ser o negócio de hoje... E assim são
conquistados!
Os clientes fiéis sempre juntos com a família Mercosul.
Gabriel: 17 de setembro de 2004
"Não tenho cabeça sou muito burro muito burro, diz Gabriel aos 87 anos, que
já trabalha com a família desde 1974, fazendo a parte de "mil e uma
utilidades"... Vendendo para o Queimador da Lapa colchas direto da fábrica
de seu cunhado (Indústria de Colchas Vitória), sempre direcionado na busca
de preços competitivos e continua acompanhando Claudio na empresa a 30 anos.
Anos que se completam por um carinho de toda uma história de vida.
Um homem cheio de vida e sempre com uma disposição impressionante! Essa
diposição deve-se por não ter tido filhos nem mulher! Não que ele saiba...
Isso vira motivo de brincadeira... E desde a grande amizade com Azad
Tarikian e Irene Festa as palavras de Azad para nunca e jamais abandonar seu
filho são cumpridas até hoje.

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